Urological Tract Infections (UTI)

Estudo de caso 2: utilização de nitrofurantoína na gravidez

A Mary tem 28 anos e foi-lhe confirmada recentemente a sua primeira gravidez. Ela apresenta sintomas de uma sensação de ardor quando urina, sugestiva de cistite. Apesar de ter tido episódios semelhantes no passado, por estar grávida achou que não seria prudente a auto-medicação e, por isso, a Mary procura aconselhamento médico.

Geralmente, nas ITU sem complicações, adopta-se uma abordagem pragmática à terapêutica. Provavelmente, muitos médicos receitariam, em primeira linha, nitrofurantoína ou trimetoprim para esta doença. O departamento local de microbiologia aconselhou que não se deve receitar amoxicilina para ITU sem complicações, dados os níveis elevados de resistência dos agentes uropatogénicos comuns a este antibiótico.

Nem sempre é solicitada uma amostra de urina do jacto médio (MSU) para os doentes que apresentam uma ITU. Contudo, é solicitada com maior frequência em doentes grávidas, deixando ao critério do médico a decisão sobre o que receitar enquanto aguarda o resultado.

O trimetoprim está contra-indicado na gravidez1, assim como as fluoroquinolonas, pelo que uma boa alternativa seria a nitrofurantoína que pode ser utilizada na gravidez (mas está contra-indicada durante o trabalho de parto e o parto, devido ao possível risco de hemólise dos glóbulos vermelhos imaturos dos bebés). Deverá ser utilizada numa dose mínima, conforme adequado para uma indicação específica, apenas após uma avaliação cuidadosa. 2

O médico garantiu à Mary que a nitrofurantoína tem sido utilizada amplamente por muitos anos e recomendada como tratamento de primeira linha para cistite na gravidez3 (contra-indicada durante o trabalho de parto e o parto). 2

O médico explicou ainda que, se não for tratada, a cistite pode apresentar riscos para o feto, como peso baixo à nascença ou parto prematuro.4

Apesar de a nitrofurantoína existir há muito tempo, há poucas evidências que sustentem uma diminuição da sensibilidade da E.coli – que é o organismo mais frequentemente isolado na cistite (ou seja, a sua taxa de sucesso tem permanecido constante em cerca de 90%).5 A forma genérica está associada a um maior número de efeitos secundários gastrointestinais6, incluindo náuseas e vómitos, pelo que pode não ser uma opção ideal, especialmente para uma mulher que já apresente hiperemese.

Contudo, as formulações mais modernas (Furadantina MC cápsulas) estão associadas a menos efeitos secundários do que os comprimidos originais de nitrofurantoína6, 7.

O médico receitou Furadantina MC® cápsulas, 100 mg três vezes ao dia durante sete dias, e ficou satisfeito quando os resultados da MSU confirmaram que o agente patogénico era, de facto, sensível à nitrofurantoína.

    Bibliografia

  1. Trimetoprim (resumo das características do medicamento) (UKPAR)
  2. FURADANTINA (resumo das características do medicamento) (GOLDSHIELD PHARMACEUTICALS)
  3. Agência de Protecção da Saúde 2010 - Management of infection guidance for primary care for consultation & local adaptation (http://www.hpa.org.uk/web/HPAwebFile/HPAweb_C/1267551032202)
  4. Scottish Intercollegiate Guidelines Network, SIGN 88: Management of suspected bacterial urinary tract infection in adults. A national clinical guideline. Julho de 2006. www.sign.ac.uk/pdf/sign88supp.pdf
  5. Roy R et al, dados apresentados no ECCMID, Maio de 2009
  6. Kalowski S et al. N Engl J Med. 1974; 290 (7): 385-7
  7. Pelletier L et al. Advanc in Ther. 1992; Vol. 9 (1): 32-45
  8. Spencer RC et al. Jour Ant Chem. 1994; 33: Supl. A 121-129